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Lutar até não poder mais

Garra, determinação e muito coração. Foi assim o jogo do Benfica ontem frente ao Marítimo. Um jogo difícil frente a um adversário bem organizado e com um guarda-redes que parecia capaz de travar o mundo sozinho. Só uma equipa com uma fé tremenda e uma determinação inabalável continuaria a pressionar, a empurrar o adversário para trás, em ondas sucessivas de ataques. A vontade de vencer superou todas as adversidades, e isso é o que mais me orgulha na equipa e na exibição de ontem.

Gaitán vs Marítimo

Teria sido muito fácil baixar os braços depois do golo do Djalma. O título já é pouco mais do que uma miragem e todos sabemos que qualquer deslize do Benfica neste momento ditará um ponto final na corrida, pelo que os jogadores poderiam perfeitamente ter-se sentido impotentes perante a belíssima época do FC Porto e pensar em poupar-se para os desafios que aí vêm, importantíssimos mas para outras provas, frente a Sporting e PSG. Mas não, a vontade de vencer e a auto-crença desta equipa são inquebráveis nesta fase da temporada; aconteça o que acontecer, a forma como lutam mesmo quando tudo parece perdido já me deixa com o ego inflacionado. Apetece citar o slogan da Adidas: impossible is nothing. A equipa parece ter feito disso o seu lema e prepara-se para fazer o Porto suar pelo título. Ainda bem que assim é.


Uma relíquia azul e branca: Vardar – FC Porto (Setembro 1987)

No passado domingo descobri uma pequena relíquia da história do FC Porto. Em Setembro de 1987 o FC Porto iniciava a defesa do título europeu conquistado 4 meses antes em Viena. Ditou o sorteio que pela frente na primeira ronda teriam pela frente o Vardar Skopje, que no ano anterior se havia sagrado campeão jugoslavo, e que se revelou pêra doce para os azuis e brancos. A segunda mão foi disputada no Estádio Municipal de Skopje a 30 de Setembro de 1987 e é desse jogo que descobri uma fotografia dos onzes iniciais.
FC Porto
O autor até tentou colocar legenda, mas falhou redondamente na maior parte dos nomes. De repente, o Eduardo Luís chama-se Joalo Ping (!), o João Pinto chama-se Soleso (!!!), o Madjer é o Rui Barros e vice-versa, o André é o Jaime Magalhães e vice-versa, o Inácio afinal é o Eduardo Luís, e outras patacoadas semelhantes. Dos onze jogadores o autor do livro conseguiu acertar no Mlynarzick e no Sousa. Ficou-se pela intenção.
Vardar
O Vardar, apesar da saída pouco airosa da competição, tinha uma equipa com alguns bons valores. Neste onze figuram dois jogadores que 3 anos depois se sagrariam campeões europeus no Estrela Vermelha: Darko Pancev, melhor jogador macedónio de sempre (segundo a contar da direita na fila de baixo) e Ilija Najdovski (primeiro a contar da direita na fila de cima). Neste jogo foram, no entanto, impotentes para travar o Porto, que venceu por 3-0, com golo de Sousa, Jaime Magalhães e Madjer.

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Uma Selecção de problemas

Eduardo

Neste jogo de culpas e desculpas, este até é dos menos culpados...

A Selecção Nacional de futebol vive um momento tragi-cómico. E os resultados vergonhosos frente ao Chipre e à Noruega são problemas menores quando comparados com a novela que se desenrola nos bastidores. Na verdade, tolo é quem achou que poderia ser diferente. Com um Seleccionador suspenso pelo próprio patrão, um adjunto de adjunto a orientar a equipa e o patrão a procurar, como sempre, sacudir a água do capote, seria difícil a qualquer equipa do mundo fazer melhor. Acredito que nem a Espanha o faria. Li na Bola, no fim-de-semana, que os dirigentes da FPF andam nervosos. Compreensível, mas esse nervosismo vem pelas razões erradas. Não andam nervosos pela vergonha que cultivaram, mas sim porque sentem o status quo ameaçado, porque receiam que esta crise em volta do Seleccionador os arraste com eles. Tivessem um pingo de vergonha e dignidade e saíam todos. Todos. Do presidente ao adjunto de adjunto.

Mas no final a solução será a mesma de sempre: despede-se o seleccionador, traz-se alguém novo e reza-se para que os resultados melhorem. Com duas ou três vitórias, daqui a 6 meses ninguém se lembra de quem é verdadeiramente responsável pelo caos instalado, e tudo continuará na mesma, até à próxima crise. Não importa perceber o que está mal e resolver os problemas; importa arranjar maneira de ficar na mama, de não assumir responsabilidades, de encontrar um bode expiatório. Aliás, esta é uma cultura que domina a FPF há muitos anos; só assim se entende que os maiores responsáveis pelas duas maiores vergonhas da história da Selecção (1986, Amândio de Carvalho e 2002, Gilberto Madaíl) continuem como dirigentes federativos. Este caso não é, infelizmente, o fim dos dias; é apenas uma pequena lomba na estrada do agarradismo ao poder destes senhores. Para mal do futebol português.

E no meio de tanta azelhice, Madaíl e companhia ainda vão permitir que Queirós saia airoso, de cabeça levantada, podendo fazer o papel de Calimero de que ele tanto gosta. Os métodos rasteiros que têm sido usados para tentar despedi-lo com justa causa e não ter de pagar a choruda indemnização a que ele tem direito são um exemplo claro da sem-vergonhice que reina na FPF. Tenham tomates, por uma vez na vida; se querem o homem pelas costas, assumam-no e paguem o que lhe devem. E já que estão numa de ser corajosos, por uma vez na vida, de seguida façam um favor ao futebol português e demitam-se. Olhem para o exemplo francês, ganhem vergonha na cara e deixem de viver às custas do Ronaldo e da Nike. Já estava na altura de serem homenzinhos e pagarem pelos vossos erros…

Foto retirada do site d’A Bola

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Fome de bola

Capa da bola, 7 de Agosto de 2010

Estou com uma fome de bola que não se pode! Depois de quase um mês sem futebol a sério (confesso que não tenho grande apetite para o futebol dos amigáveis de pré-temporada) sabe muito bem voltar à rotina dos fins-de-semana, de abrir o futbol24.com pela manhã e ver a lista de jogos do dia. Confesso que ainda o Mundial ia a meio e eu já estava algo cansado de futebol; a pausa entre temporadas faz-me bem para desopilar e dedicar-me a outros desportos. Mas depois de algumas semanas, começa a sentir-se a ressaca. Agora é tempo de regressar às doses normais de bola.

Como não sou adepto de futebol de pré-época, só vi um jogo do Benfica (com o Aston Villa) mas entre esse jogo e o que fui lendo entro nesta temporada com uma confiança moderada. Ainda não vi nada dos rivais, mas a forma como continuamos a jogar, mandões do jogo, com o futebol rendilhado a que os artistas da Luz nos habituaram, só posso estar confiante na repetição da temporada passada. É certo que perdemos dois pilares do meio-campo, e o substituto do Ramires ainda é um desconhecido, mas os reforços que já chegaram deram boas indicações (o Jara é craque!), o Airton e o Kardec estão adaptados e a mostrarem-se alternativas viáveis a Javi e Cardozo e as estrelas que ficaram continuam a carburar como antes. Creio que estamos um passo à frente da concorrência e se continuarmos a trabalhar da mesma forma temos tudo para sermos felizes e até fazer uma boa campanha na Europa.

Dos adversários, repito, não vi nada, mas do que fui lendo aqui e ali parece-me que o Braga continua a ser a grande ameaça, pelo menos para já. Domingos manteve uma boa parte das peças importantes, e os que saíram parecem ter sido bem substituídos. Tal como no Benfica, a grande dúvida parece ser a baliza, depois do enorme azar que Quim teve. Em relação ao Porto, espero, naturalmente, que recupere terreno quando os métodos do treinador estiverem mais assimilados e os reforços mais adaptados, mas tenho a sensação que o Villas-Boas tem ainda muito trabalho pela frente até pôr a máquina a carburar a 100%. Um ponto fundamental será a substituição de Bruno Alves que, goste-se ou não do estilo, era pedra basilar da defesa; no actual plantel não há ninguém à altura do antigo capitão. Já o Sporting é novamente um ponto de interrogação. Depois de terem feito uma pré-temporada de bom nível, nos primeiros jogos a doer voltaram a mostrar inseguranças e debilidades. Os fantasmas do passado continuam a assombrar Alvalade e será preciso muito trabalho psicológico de Paulo Sérgio para os afastar, assim como os assobios das bancadas, que estão ainda bem afinados, pelo menos a julgar pela amostra de quinta-feira.

Gostava também de poder dizer que espero uma temporada sem casos ou polémicas, sem dirigentes histéricos, acusações de corrupção e influências, sem árbitros incompetentes e jogadores sem fair-play, mas sejamos realistas: estamos a falar do futebol português. O que seria da bola tuga sem estes elementos?…

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