Uma Selecção de problemas

Eduardo

Neste jogo de culpas e desculpas, este até é dos menos culpados...

A Selecção Nacional de futebol vive um momento tragi-cómico. E os resultados vergonhosos frente ao Chipre e à Noruega são problemas menores quando comparados com a novela que se desenrola nos bastidores. Na verdade, tolo é quem achou que poderia ser diferente. Com um Seleccionador suspenso pelo próprio patrão, um adjunto de adjunto a orientar a equipa e o patrão a procurar, como sempre, sacudir a água do capote, seria difícil a qualquer equipa do mundo fazer melhor. Acredito que nem a Espanha o faria. Li na Bola, no fim-de-semana, que os dirigentes da FPF andam nervosos. Compreensível, mas esse nervosismo vem pelas razões erradas. Não andam nervosos pela vergonha que cultivaram, mas sim porque sentem o status quo ameaçado, porque receiam que esta crise em volta do Seleccionador os arraste com eles. Tivessem um pingo de vergonha e dignidade e saíam todos. Todos. Do presidente ao adjunto de adjunto.

Mas no final a solução será a mesma de sempre: despede-se o seleccionador, traz-se alguém novo e reza-se para que os resultados melhorem. Com duas ou três vitórias, daqui a 6 meses ninguém se lembra de quem é verdadeiramente responsável pelo caos instalado, e tudo continuará na mesma, até à próxima crise. Não importa perceber o que está mal e resolver os problemas; importa arranjar maneira de ficar na mama, de não assumir responsabilidades, de encontrar um bode expiatório. Aliás, esta é uma cultura que domina a FPF há muitos anos; só assim se entende que os maiores responsáveis pelas duas maiores vergonhas da história da Selecção (1986, Amândio de Carvalho e 2002, Gilberto Madaíl) continuem como dirigentes federativos. Este caso não é, infelizmente, o fim dos dias; é apenas uma pequena lomba na estrada do agarradismo ao poder destes senhores. Para mal do futebol português.

E no meio de tanta azelhice, Madaíl e companhia ainda vão permitir que Queirós saia airoso, de cabeça levantada, podendo fazer o papel de Calimero de que ele tanto gosta. Os métodos rasteiros que têm sido usados para tentar despedi-lo com justa causa e não ter de pagar a choruda indemnização a que ele tem direito são um exemplo claro da sem-vergonhice que reina na FPF. Tenham tomates, por uma vez na vida; se querem o homem pelas costas, assumam-no e paguem o que lhe devem. E já que estão numa de ser corajosos, por uma vez na vida, de seguida façam um favor ao futebol português e demitam-se. Olhem para o exemplo francês, ganhem vergonha na cara e deixem de viver às custas do Ronaldo e da Nike. Já estava na altura de serem homenzinhos e pagarem pelos vossos erros…

Foto retirada do site d’A Bola

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One response

  1. Mainada!

    September 9, 2010 at 00:59

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